• MAS, AFINAL, 

    O QUE É ISTO DE “

    POLINIZAR A MÚSICA”?

    Há muitos anos que Paredes de Coura é feita de música. A música está por todo o lado: no nosso ensino, na nossa Escola do Rock, no nosso Festival, e em muitas outras iniciativas que têm reforçado este elo entre a cultura e a vila. Com a pandemia não vacilámos e o Município relembrou toda a gente de que, além de Paredes de Coura ser feita de música, a música também é feita de Paredes de Coura. São muitos os artistas e as pessoas que passam por este território à procura de oportunidades para viver a música como só aqui se vive. É da vontade de continuar esta história que nasce o Ciclo de Polinização, promovido pelo Município de Paredes de Coura, em parceria com a Associação Cultural LANDRA e a Associação Porta-Jazz, também em colaboração com a Associação Cultural Rock'n'Cave, que assegurou a direção de programação, comunicação e produção do evento. Como o nome indica, é um ciclo de concertos de música clássica, tradicional e jazz, composto também por workshops e atividades ligadas à música, às artes e à natureza. Cada mês do Ciclo de Polinização teve três fins de semana temáticos, dedicados alternadamente a um destes géneros musicais.

  • Mas porquê “Ciclo de Polinização”? “Polinizar” significa (1) “transportar o pólen das anteras para o estigma da flor” e (2) “fecundar uma flor com o pólen” (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). O Ciclo de Polinização tem o objetivo de fecundar o território com a música, numa tentativa de alargar, no tempo e no espaço, os seus efeitos positivos nesta região, a nível social, económico e cultural.

    Um dos objetivos desta iniciativa em 2021 foi também ajudar os agentes locais e a população a retomar as suas atividades em segurança, nomeadamente a vida cultural, bem como possibilitar que alguns projetos de música nacionais retomassem a circulação depois dos efeitos negativos da pandemia no setor da cultura.

  • Foram muitas as memórias que criámos, recordadas ao som de alguns dos melhores projetos da música nacional da atualidade. Nos primeiros meses montámos o palco no Largo Visconde de Mozelos, para que todos encontrassem a nossa música com facilidade. Os concertos de entrada gratuita ganharam imediatamente um público habitual, e todos os fins de semana víamos chegar novos curiosos a indagar que palco em perfeita harmonia com o coração da Vila era aquele, ou que som diferente e cativante se ouvia ao longe.

  • The Guit Kune Do, Nuno Campos, Marcos Cavaleiro, João Mortágua, pLoo, Puzzle 3, Miguel Ângelo e João Pedro Brandão são alguns dos nomes mais marcantes do jazz nacional que passaram pelo nosso palco. Fruto da parceria com a Associação Porta-Jazz, todos estes músicos e respetivas formações vieram ao Ciclo de Polinização apresentar álbuns com o Carimbo Porta-Jazz, alguns premiados.

    A relembrar o público das tradições que marcam a cultura portuguesa, bem como as suas influências e variações, ouvimos Macadame, Phole, Rainhas do AutoEngano, Guitolão Trio (projeto de António Eustáquio) e Galandum Galundaina, concertos no âmbito da música tradicional com uma abordagem contemporânea, que nos fizeram querer saltar da cadeira para um passinho de dança. O último fim de semana dedicado à música tradicional contou com concertos no Centro Cultural de Paredes de Coura do grupo português Segue-me à Capela, o galego Rodrigo Romaní Trio e o músico e escritor cabo-verdiano Mário Lúcio, ex-Ministro da Cultura de Cabo Verde, que apresentou pela primeira vez ao vivo a sua nova música Hino à Gratidão num momento inesquecível.

    Para acompanhar os sons solenes da música clássica, trocámos o Largo da Câmara pela belíssima Capela do Espírito Santo, onde decorreram algumas das mais bonitas homenagens que já aconteceram em Paredes de Coura a diversos músicos e compositores, como Mozart, Strauss, Piazzolla, Braga Santos e até Zeca Afonso, pelas mãos mágicas de Harawi Ensemble, Márcio Pinto e Catarina Anacleto, Heder Dias, Viana D’arcus Ensemble. No último fim de semana tivemos ainda Vianna Brass Quintet, o famoso grupo local Coura Voce e os Space Ensemble.

  • Todos os músicos têm reconhecido o valor do Ciclo de Polinização, pela coragem que a organização demonstrou ao avançar com esta iniciativa cultural. Vânia Couto, vocalista dos Macadame, sublinhou emocionada durante o concerto que são urgentes mais eventos deste género, feitos para os artistas e para a comunidade, para celebrar a música e a cultura portuguesa.

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    Mas a música ressoou um pouco por toda a vila, e não foram só os concertos que tiveram um público atento. Os workshops do Ciclo de Polinização foram uma oportunidade descontraída de abordar a música fora das salas de aula, aproximando a comunidade desta área artística. Vindo de Viana do Castelo, foi João Gigante (criador do projeto PHOLE) que estreou os workshops do Ciclo, com uma Oficina de Concertina, mostrando que este é um instrumento versátil que permite explorar sonoridades muito diferentes e desconstruir os sons que habitualmente associamos apenas à música tradicional. Após a oficina, os participantes tiveram oportunidade de subir ao palco no concerto do PHOLE.

  • Também tivemos demonstrações de instrumentos, como o concerto didático de cordofones tradicionais, com Alexandre de Barros dos Macadame, que deu a conhecer a história, a evolução, a disseminação e os diversos repertórios de alguns dos nossos cordofones. Na mesma linha, os Galandum Galundaina preparam um workshop para crianças onde falaram de alguns dos instrumentos que tocam, criados ou adaptados pelos próprios

    músicos, e ainda ensinaram os pequenos espectadores do Ciclo de Polinização a fazer uma Gaita de Barcego, a partir de uma planta com o mesmo nome. Para surpresa de todos, a sessão terminou com um exercício de percussão, no qual os participantes tiveram oportunidade de tocar música com duas vulgares colheres, orientados e acompanhados por alguns músicos do grupo de Miranda do Douro.

  • O único workshop que teve continuidade foi a LOCOMOTIVA, uma oficina de jazz, ritmo e improvisação que aconteceu em todos os fins de semana dedicados a este género musical, com tutoria de André B.Silva e de um músico convidado, diferente a cada sessão. Impossível não relembrar as palavras de André B.Silva durante uma das aulas: "a única tradição do jazz é quebrar com a tradição" - resumindo a abordagem inovadora que guia as sessões desta oficina.

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    Como um complemento às aulas práticas do ensino articulado de música, fortemente abaladas pela pandemia, os workshops dos fins de semana dedicados à música clássica foram organizados a pensar nos estudantes do ensino articulado e orientados pela Academia de Música de Viana do Castelo, como um complemento prático à formação musical destes jovens. Houve também um workshop para o coro feminino Coura Voce, sob tutoria do maestro Vítor Lima e da professora convidada Paula Cobián, sendo um exemplo de mais uma atividade no âmbito do Ciclo de Polinização que pretendia reativar os ensaios regulares deste género de grupos locais, em períodos de fim de semana.

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    Como em Paredes de Coura a música anda de mãos dadas com a natureza, todos os domingos do Ciclo de Polinização contámos com o Grupo de Orientação Local Ori-Coura para nos levar em caminhadas matinais imperdíveis, que passaram pelos locais mais bonitos deste território.

  • Depois de 4 meses cheios de música, podemos afirmar com orgulho que “polinizar” ganhou um novo significado em Paredes de Coura.

     

     

     

     

    Este ciclo de concertos e atividades culturais é desenvolvido no âmbito da candidatura Programação Cultural em Rede – Património Cultural NORTE, com o projeto “Polinização Cultural”.